Entrevista 1. Como começou e porque decidiu ser dj? Dj Adriana Prates - Sempre gostei de som e nas festas dos amigos levava meus discos, escondia as cadeiras para ninguém ficar sentado, etc. Fazia programação musical nas festinhas em que um amigo alugava aparelhagem de som, etc. Anos depois eu e uma amiga resolvemos pedir para fazer o som uma noite no bar Alambique, só de farra. A partir desse dia começamos a ser convidadas para dar som em vários lugares e assim cheguei até os dias de hoje. Então não houve uma intenção, uma decisão, as coisas foram acontecendo e eu fui deixando acontecer. 2. E seu estilo, como decidiu por ele? Qual a linha que você mais gosta de tocar? Dj Adriana Prates - O estilo que eu mais gosto é o House. Sei que o termo comporta várias subdivisões, mas ainda não consegui optar por uma linha. Imagino que isso deverá acontecer um dia, pois, pelo que posso observar, parece que este é o caminho da maioria dos djs. Mas gosto também de batidas quebradas, de músicas contendo efeitos bem sintéticos e robóticos. Quanto à decisão pelo estilo, é como se apaixonar e não tem muito como explicar. 3. A cena dos djs ganhou mais visibilidade. É possível viver dessa profissão em sua cidade? Como tem funcionado o mercado? Dj Adriana Prates - Em Salvador, embora a visibilidade tenha aumentado, a cena de musica eletrônica (que é onde a presença do DJ é realmente significativa) ainda é pequena. Mesmo o mercado de dance comercial não é amplo. Os cachês ainda não são bons e a valorização do dj é um processo recente, que está começando a acontecer , portanto viver exclusivamente desta profissão, em Salvador, não deve ser muito fácil. Por outro lado, a cena vem se ampliando e observo que isto tem favorecido a ampliação do mercado. Essa ampliação é acompanhada por coisas legais como a expansão dos eventos e consequentemente das oportunidades de trabalho, a viabilização da apresentação de djs de fora, o surgimento de noites especializadas nos clubes, etc. E tudo isso é muito bom. Porém existe ainda mais um lado desta questão, e que considero extremamente interessante, que é o fato de que isso tudo que mencionei implica na inserção da e-music e do seu entorno em uma lógica mercadológica, ou seja, implica, de certa forma, na apropriação da cultura da e-music pelo mercado. Ao comentar este último aspecto não pretendo criar polêmica, nem estou qualificando tal fenômeno como negativo/positivo, nem tampouco como algo restrito ao universo da e-music, já que é notável a ocorrência deste processo em relação a outras diversas manifestações culturais. Noto apenas que está presente aí, neste contexto particular, um tipo de mecanismo que vem cada vez mais atuando na sociedade contemporânea. Acho este um ponto bem interessante para refletir. 4. De que forma você pesquisa seu estilo. A internet tem sido um instrumento para suas pesquisa musical? Não tenho o tempo que gostaria de ter para me dedicar ao som mas procuro ler e escutar tudo o que posso. Neste sentido, a internet é a maior fonte de informação. 6. Há poucas representantes do sexo feminino assumindo essa profissão. Porque será? Dj Adriana Prates - Bem, acho que é uma questão de que as mulheres simplesmente não se vêem ocupando determinados espaços, então muitas vezes nem cogitam experimentar. 5. Qual seu conceito de dj? Dj Adriana Prates - O dj deve ser a alma da festa. É ele quem dá o tom, é o "condutor" das pessoas numa viagem coletiva. Qualquer pessoa pode executar uma sequência de músicas, portanto o que torna o dj uma figura especial é o fato de fazer com que a sua sequência de músicas se traduza em emoções. 7. O que lhe deixa feliz quando você está tocando? Quando consigo criar empatia com as pessoas que estão na pista e me sinto parte da vibração coletiva. Tocar é uma experiência muito interessante.