Equipamentos Básicos para dj

 

Dois toca-discos, mixer com equalização por canal, fone de ouvido e sampler (opcional)

Toca-discos

O modelo mais usado por djs no mundo todo é a famosa Technics 1200 MK II. Por ser um equipamento de enorme precisão e robustez, mantém sua fama desde  o início dos anos 80, quando foi lançado. De lá pra cá, foi copiado por diversas outras marcas. mas, até hoje, nenhuma delas conseguiu superar a MK II.

Especificações Gerais (toca-discos)

 1 – Chave liga e desliga (power on/off) – Botão preto para ligar e desligar os toca-discos

 2 – Start/Stop – Tecla pra acionar ou parar o prato.

 3 – 33/45 – Alterna a velocidade de 33 rotações por minuto (rpm)  para 45 rpm e vice-versa.

 4 – Pitch control – Botão deslizante onde se pode alterar em +/- 8% da velocidade normal  da música tanto em 33 rpm quanto em 45 rpm.

 5 – Shell – Suporte para colocar cápsula e agulha, sendo que algumas cápsulas já vêm com o shell incorporado - essas cápsulas são as melhores por oferecerem mais estabilidade.

 6 – Peso – Usado para  regular o peso em gramas da agulha sobre o disco. Em alguns estilos, usa-se mais peso sobre a agulha.

 7 – Prato – Lugar onde se coloca os vinis, na Technics ele é de alumínio. É aconselhável o uso de feltros para facilitar o manuseio do vinil.

 8 – Torre – Estrutura onde se pode ajustar a altura do braço de 31.8 a 37.8 milímetros (mm) para que ele fique paralelo ao vinil, ou mais inclinado, evitando assim que a  agulha pule.  

9 – Anti-skating – Botão em forma de círculo com numeração de 0 a 3, utilizado para aumentar a força centrifuga do braço. Geralmente usado no 0, mas isso depende do que se deseja, como, por exemplo, fazer a agulha passar sobre arranhões superficiais.

 10 – Luz – O próprio nome já diz tudo, serve para enxergar a faixa do vinil quando se toca na noite.

 Ajuste do pitch - O ajuste do pitch acontece de acordo com cada música, se você sentir que a música que você vai estar monitorando (ouvindo) no fone está mais rápida ou mais devagar em relação à música que está tocando na pista, mexa no pitch no sentido positivo ou negativo. Esse ajuste você só vai adquirir com o tempo, quando se acostumar com o pitch, então tenha paciência.

Regulagens do toca-discos - O peso do braço deve ser alinhado primeiro, portanto gire o peso no sentido horário até que ele fique totalmente na posição horizontal. Nesse momento, o peso sobre a agulha vai ser de 0 grama, após isso gire o peso no sentido anti-horário até sentir o peso sobre a agulha. O peso sobre a agulha varia de acordo com a cápsula, com a agulha e com o estilo de música que você pretende trabalhar. Depois disso, ajuste a altura da torre de acordo com a altura da cápsula, lembrando que, quanto maior a altura da torre, maior o peso sobre a agulha. Feito isso, é só colocar o vinil e curtir. Não esqueça que em estilos como o Drum'n'Bass e o rap - onde se usa o scratch - é aconselhável colocar mais peso sobre a agulha para evitar que ela pule, sempre tomando cuidado para não sobrecarregá-la .

 O Mixer

O mixer é o aparelho utilizado para misturar vários sinais de áudio (música) simultaneamente. Os mais adequados e usados hoje em dia são os mixers com equalização por canal onde se pode ajustar graves, médios e agudos, além de alguns modelos que vêm com ganho (volume) em cada canal usado para aumentar o sinal de áudio de cada um deles.

 Ligações - Um mixer tem que ter no mínimo duas entradas phono/line e uma ou duas saídas amp e booth.

 In – Abreviatura de input (entrada).

 Out – Abreviatura de output (saída).

 Phono – Entrada para os toca-discos.

 Line – Entrada para cd player, sampler ou bateria eletrônica.

 Rec – Saída para gravação em deck, mini disc ou gravador de cd.

 Amp – Saída para ser ligada no amplificador.

 Booth – Saída para amplificador de retorno, onde você poderá aumentar ou diminuir o volume da caixa voltada em direção ao dj, usada para ouvir a música que está tocando na pista. Também conhecida como caixa de monitoramento ou retorno.

 Mic – Entrada para microfone.

 Cue – Escuta (saída para o fone de ouvido).

 Crossfader - Potenciômetro (volume) onde se pode misturar uma música com a outra. Quando ele estiver todo para o lado esquerdo tocará a música que estiver no toca-discos 1, todo para o lado direito tocará a música do toca-discos 2. No centro, tocará as duas músicas ao mesmo tempo.

 Como a música é composta?

Barra, pedal, caixa e compasso

 Barra – É um conjunto de tempos musicais usado na maioria dos estilos de música eletrônica (exemplo: house, trance, drum'n'bass, etc.) que é formado de 8 tempos. Digo maioria, porque, estilos como ambient music não seguem esse padrão de 8 tempos.

 P = Pedal             C = Caixa 

Pedal e caixa – Pode ser dividido em 8 tempos como se fosse a marcação de uma bateria onde o pedal será o bumbo e a caixa o clap. A primeira batida (os números impares), será o pedal e a segunda (os números pares), a caixa. Algumas músicas podem começar na caixa, portanto, preste muita atenção. O que diferencia o bumbo da caixa é o timbre de cada um. O bumbo (pedal) é mais grave e a caixa (clap) mais aguda.

 

B = Bumbo      C = Caixa 

 

Compasso – É composto de 4 barras de 8 oitos tempos: 

 

 BPM

 

O termo BPM significa batidas por minuto, quantidade de pedais (bumbo) e caixas (clap) dentro do tempo de um minuto. Esse termo é usado para definir a velocidade da música, pois as músicas têm bpms diferentes. Você deve usar o pitch para igualar as bpms das músicas e só então mixar (misturar).

 Fone de Ouvido

 O fone de ouvido é fundamental para que você possa monitorar (ouvir) as músicas antes de mixar com a outra que vai estar tocando na pista.

  Técnicas de performance

 Scratch – Movimento de vai e vem que se faz com o vinil sobre uma música, pode ser feito sem música também.

 Back to back – Repetição do trecho de uma música em dois vinis diferentes ou iguais: um trecho após o outro, dependendo de sua criatividade.

 Back Spin – Puxada no disco no sentido anti-horário de forma rápida.

 Toques: 

- Quando for segurar o vinil não use muita força, só a suficiente para que ele não escape. Não deixe o prato parar, isso prejudica a vida útil do motor. 

- Não tente ajustar as duas músicas com os dois canais abertos, no começo o melhor mesmo é voltar o vinil da música que ainda vai entrar e tentar ajustar o pitch novamente, só com o tempo você vai adquirir noção de como ajustar as duas músicas com os dois canais abertos... 

Deveres do dj 

O que vai diferenciar você de outros djs será a criatividade e, o mais importante, cultura musical. Portanto, pesquise sempre novos sons, só assim você vai ganhar respeito. Sempre pesquise novas tendências no seu estilo, com o tempo você saberá diferenciar o que é bom do que é ruim.

Glossário

After-hours - Programação de clubes que tem início normalmente às quatro, cinco da manhã e se estende até o final da manhã.

Ambient Music - Seu crescimento acontece no inícios dos anos 90, mas suas origens remetem a Brian Eno, no ano 70, com sua música minimalista. Música basicamente de texturas, sem batidas, com notas longas e etéreas e melodia lenta (quando aparece algum ritmo está desaceleradíssimo), não voltada para as pistas. Uma das característica desse estilo é, às vezes, a citação de sons do ambiente (vento, mar, barulhos caseiros, vozes...). Há o Illbient que é a versão dark, negra, sombria, da Ambient Music. O Illbient tem como local de referência Nova York e como principal expoente o dj Spooky.

Big Beat - Acelerando as batidas quebradas do hip hop e as vezes fundindo com as do funk, esse estilo pode incluir distorções de riffs de guitarras. É o som mais acessível da eletrônica e se assemelha ao rock. Em torno de 120 bpm.

BPM - Batidas por minuto, a velocidade do ritmo.

Chill In - Esquentamento. Uma reunião de clubbers, um bar, um encontro para ouvir música eletrônica antes das festas ou saída para os clubes. Pode ser na casa de amigos.

Chill Out - Relaxamento. Ambiente com música menos acelerada, um pós-agitação das pistas de dança. Pode ser na casa de amigos.

Cultura Club - Conjunto de manifestações associadas à cultura nos clubes noturno de dança (moda; djs, disco e house music, principalmente). Não faz necessariamente conexão com a cibercultura. Faz-se uma associação da Cultura Club, em suas origens, com a época Disco, nos anos 70.

Downtempo – Música desacelerada, não voltada para as pistas, mas com ritmo.

Djing - A ação ou conjunto de técnicas do dj (scratch, mixar, remixar, back-to-back, back-spin etc).

Dub - Originado das experiências dos negros da Jamaica, ainda nos anos 60, tendo a frente o produtor Lee Perry, que destaca a montagem e a técnica como fundamentais para o resultado da música. É a tecnologia definindo a estética. O Dub eletrônico utiliza timbres do Reggae, com batidas lentas, reverberadas e efeitos etéreos. O efeito delay (distorção que faz com que o som ganhe uma textura de espacialidade, de trimidensionalidade) é um elemento importante do Dub eletrônico. Pode ter vocal.

Electronica - Estilo gerado pela eletrônica, mas sem uma definição específica. Normalmente se refere a toda uma produção de um grupo que prefere não se definir por alguma vertente em particular.

Flyers - Filipetas, panfletos "voadores", repassadas de mão em mão. A produção dos flyers representam uma atividade séria dentro da Cena da Música Eletrônica, pois repassam o conceito da festa, da rave, através da imagem, cores e programação visual.

Gabba - É o estilo mais hardcore (pesado e rápido) da eletrônica. Baseado na batida House e Techno, o Gabba chega a até mais de 200 bpm´s.

Groove - A “levada” na música, é o encontro de sons percussivos em contra-tempo (baixo, atabates, percussão, enfim), com as batidas, os beats.

House - Nascida em Chicago (EUA), em 1986, esse estilo saiu da fusão, por parte do dj Frankie Knuckles, de elementos da soul music com a disco e batidas das baterias eletrônicas. Daí, surgem sub-gêneros como o Garage (com bastante vocal gospel), e o Deep House (o sub-gênero mais elegante do House, com linhas melódicas, melancólicas e minimalistas acima das batidas), o Jazzy House (batidas com um instrumento solo - quase sempre um sax virtuoso -), dentre outros (Acid House, Disco House, Tribal Hous, French Housee). 110 a 128 bpms. Hoje fala-se em até 133 bpms. O Techouse  é a sobreposição da batida techno sobre ao  groove da house. 133-137 bpms.

IDM (Inteligent Dance Music) – Música cerebral. Texturas experimentais. Conceito que pode abarcar as vertententes da ambient e illbient music. Em geral.

Jungle/DrumNbass - Saído dos guetos negros de Londres (1991/92) esse estilo, antes chamado de hardcore quando saído da cena hip hop, associa os baixos pontentes com batidas sincopadas. O DrumNbass, menos pesado, e menos sincopado, se associa a outras estéticas, como com o jazzy, fazemndo surgir o jazzy drum and bass. 160 bpms.

Live PA - É a performance, a apresentação ao vivo, do grupo ou do músico eletrônico em clubes, festas e raves.

Mixar - Misturar. Na técnica do dj, significa juntar as batidas de duas ou mais músicas na mesma velocidade, nas mesmas bpms, buscando uma fusão ou uma passagem de uma música com a outra.

Remixar - Reeditar uma música em novo estilo, em nova tipo de batida. Fazer nova versão.

Rave – Festas em ambientes abertos (prais, sítios, fazendas) ou em galpões sempre fora do perímetro urbano.

Techoparty - É a festa com música eletrônica em clubes e/ou em área mais urbanas da cidade, em ambientes fechados, pricipalmente.

Techno - Originado em Detroit (EUA), no início dos anos 80. Derrick May, Kevin Saunderson e Juan Atkins fazem uma fusão entre o som de Kraftwerk e batidas funks de George Clinton. O resultado é uma batidas seca, repetitiva, 4 por 4, sem vocais. O Kraftwerk é considerado um grupo Prototechno, por ser referência à produção da Techno Music. 130 a 140 bpms.

Trance - Criado na Alemanha, já é uma derivação do tecno. Texturas se sobrepõem às batidas. Som viajante. Menos groove. O Hard trance acelera as batidas para até 150 bpm e o psy trance (em torno de 138/150 bpms) aumenta as camadas de texturas e efeitos sonoros e mistura com trechos de sons étnicos indianos (Goa Trance). O trance usa a estrutura e bpm da house ou do techno.

Trip Hop - É o blues do tecno. Melodias tristes, com batidas desaceleradas, geralmente cantadas. A base é a música do hip hop (rap), só que com efeitos lisérgicos (texturas) e as vezes até de distorção. A voz, masculina ou feminina, pode ser processada por filtros e parecer mecanizada. Sua origem é Bristol (Reino Unido) em 1991.  Em torno de 65 a 85 bpms.

Techno pop - Som baseado nos anos 80 e que teve como expoente o Depeche Mode e o New Order. Música com letras (início, meio, fim e refrão), numa referência à canção tradicional. É pop, com teclados que produzem muita melodia, mas a batida é bastante dançante. 

Caso faça cópia do presente glossário para publicação ou site, por favor nos informe e cite nosso site como fonte (Glossário retirado do site www.pragatecnobahia.hpg.com.br, elaborado por Cláudio M.) claudiomds@ig.com.br.

 

Boa Sorte!

DJ Môpa